Conforme o médico psiquiatra e cooperado da Unimed Cuiabá Mario Vinicios Silva Martello, a dependência química é uma doença causada pelo consumo repetitivo de determinadas substâncias, levando a prejuízos severos ao indivíduo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dependência química como uma doença crônica, progressiva, ou seja, que piora com o passar do tempo, primária, que gera outras doenças e fatal.
O principal passo e decisão a se tomar é querer procurar uma clínica de tratamento para a dependência química!
A dependência química é um transtorno mental caracterizado por um grupo de sinais e sintomas decorrentes do uso de drogas. Esses sinais e sintomas são: compulsão pelo uso da droga; sintomas de abstinência, necessidade de doses crescentes para atingir o mesmo efeito; falta de controle sobre a quantidade do uso; abandono de outras atividade e manutenção do uso, mesmo tendo prejuízos evidentes causados pela droga. “Três desses sintomas já são suficientes pra se diagnosticar a dependência química”, ressalta o médico.
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), as substâncias causadoras de dependência são: álcool, tabaco, cocaína e derivados como o crack e a pasta-base, maconha, alucinógenos, solventes e inalantes, a exemplo da cola de sapateiro e acetona, estimulantes como anfetaminas e cafeína, opióides, sedativos e hipnóticos (medicações como o diazepam). “As drogas que mais comumente causam dependência em nossa sociedade são o álcool, tabaco, cocaína e seus derivados, que vem aumentando de forma alarmante sua incidência nos últimos anos. Outra grande preocupação é com o abuso de medicações sedativas, os famosos “tarja preta”, cujo uso indiscriminado tem tornado muita gente dependente”, explica Mario.
Consequências
A doença causa diversos prejuízos à vida do paciente em todas as esferas. Mário explica que para um dependente químico, usar a droga é o principal objetivo da pessoa, e todo o resto como família, estudos, trabalho e saúde ficam em segundo plano. “Eles tem dificuldades em se firmar no emprego, concluir um curso, conviver em família ou até mesmo fazer planos para o futuro. Seus relacionamentos são conflituosos e há maior incidência de comportamento violento e envolvimento em situações de risco como dirigir intoxicado e fazer sexo sem proteção”, alerta. Além disso, estão expostos a deterioração da saúde física e psíquica, promovidos pelas drogas. Os derivados de cocaína causam déficit cognitivo e lesão pulmonar, o álcool pode levar à cirrose e demência, o tabaco causa câncer, entre outras doenças.
Prevenção
Segundo o psiquiatra Mário, a melhor forma de prevenção é não experimentar. “Algumas drogas causam dependência muito rapidamente, como a cocaína e seus derivados, anfetaminas, tabaco e opióides. Para essas, a mera experimentação já é um comportamento de altíssimo risco”, salienta. É importante que usuários de drogas fiquem alertas e procurem ajuda.
Doença tratável
Vale lembrar que não existe cura para a dependência química, ou seja, há o controle da doença com tratamento. As alterações cerebrais causadas pela droga são, em grande parte, irreversíveis. O cérebro guarda uma espécie de “memória” da droga por toda a vida, por isso, mesmo dependentes químicos em tratamento, que já estão livres de qualquer droga há várias décadas, irão voltar ao mesmo padrão de consumo excessivo da substância caso voltem a experimentá-la.
Tratamento
O tratamento é multidisciplinar, envolvendo médico psiquiatra, psicólogo e outros profissionais dependendo de cada caso. O uso de medicação é de grande utilidade pois ajuda a conter a vontade de usar e a diminuir os sintomas de abstinência. “A internação, tanto voluntária quanto compulsória, é um instrumento útil em casos selecionados, assim como os grupos de mútua ajuda como o Alcoólicos Anônimos e o Narcóticos Anônimos”, pondera.
Mário ressalta que o apoio familiar é fundamental no processo de tratamento e que a família precisa se envolver e incentivar o doente na busca pela abstinência, entendendo que esse caminho é tortuoso, e que as recaídas são comuns nesse processo. “Os familiares precisam entender que a dependência química é uma doença e não um desvio moral. Ao mesmo tempo, junto a esse apoio, precisa haver uma postura firme dos familiares para não permitir que o paciente os manipule. É um equilíbrio difícil de ser atingido e um desafio, principalmente para os pais ou cônjuge. Grupos de mútua ajuda próprios para a família, a exemplo do grupo de apoio amor-exigente, ajudam bastante” finaliza o psiquiatra Mario Vinicios Silva Martello.
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